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Assunção, T; Flores-Júnior, O. e Martinho, M., orgs. (2010); Ensaios de Retórica Antiga. Belo Horizonte: Tessitura. 352 pp. ISBN: 978-85-99745-28-1. Prefácio: Marcos Martinho.

Daniel Rinaldi

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En la ciudad de Ouro Preto, entre el 26 de febrero y el 2 de marzo de 2007, tuvo lugar el Coloquio Internacional "A retórica e o rétor" organizado por Jacyntho Lins Brandão, profesor de la Universidade Federal de Minas Gerais, y promovido por tres grupos de investigación de tres universidades brasileras, Coloquio en el que participaron casi cuarenta estudiosos del Brasil y de Francia. Quince participantes de este evento académico reelaboraron posteriormente sus comunicaciones como ensayos, investigaciones que recoge el presente volumen editado por T. R. Assunção, O. Flores-Júnior y M. Martinho. Los Ensaios de Retórica Antiga, precedidos de un breve y, al mismo tiempo, bien informado prefacio de M. Martinho que sirve de introducción para el lector no especializado (pero no únicamente), se organizan en cinco ejes temáticos, las secciones en que se divide el libro, a saber: "Górgias e o problema da retórica e da sofística", "O gênero epidíctico e seus usos", "A retórica anterior à retórica: práticas do discurso em Homero", "O ensino da retórica na Antigüidade" y "O ensino da retórica no Brasil".

 

La primera sección "Górgias e o problema da retórica e da sofística", reúne cuatro ensayos: "Retórica, filosofia e lógica: a verdade como construção discursiva em Górgias" de Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho, "A verdade como ordenação do lógos no proêmio do Elogio de Helena" de Adriano Machado Ribeiro, "Sobre o discurso no Górgias de Platão" de Carolina Araújo y "O poder do discurso no Fedro de Platão" de Admar Almeida da Costa.

 

El erudito, documentado y propositivo ensayo de Maria Cecília M. N. Coelho, "fruto tanto de uma tentativa de 'reconstrução histórica' quanto uma 'apropriação contemporânea' do pensamento de Górgias" (p. 50), busca no solo comprender lo que algunas obras de éste pudieron haber significado en su contexto original, sino también explicar el sentido que hoy podemos darles y la razón por la que dichas obras son tan estimulantes para nosotros. La autora señala que es una práctica común

 

não só lançar mão de definições e afirmações, apresentadas por Platão como sendo de Górgias, mesclando-as com as afirmações feitas pelo próprio Górgias em suas obras, como, também, apoiar-se na performance do personagem delineado por Platão e identificar Górgias como expoente da arte retórica, definindo-a, por sua vez, como arte da persuasão. (p. 29)

 

 

y observa que son obstáculos para aproximarse a Gorgias el peso de la tradición platónico-aristotélica y el empleo de ciertos términos para hacer referencia al mismo Gorgias (sofista, rétor, escéptico, nihilista, precursor del positivismo, nominalista, behaviorista, convencionalista, relativista). Esto la lleva a presentar algunas ideas de Gorgias solo por medio o a través del análisis cuidadoso de sus textos, principalmente el Sobre el no ser y el Elogio a Elena, "realçando a conexão entre as duas obras e não, como é costume, separando a primeira da segunda, afirmando o caráter mais filosófico daquela em oposição ao caráter mais retórico dessa" (p. 32).

 

Adriano M. Ribeiro, en "A verdade como ordenação do lógos no proêmio do Elogio de Helena", propone una interpretación de esta obra desvinculada de las "diversas caracterizações presentes nos textos de Platão", porque, como señala, "antes mesmo de lido, aquele [Górgias] é focado por uma perspectiva prévia, sendo categorizado, sem que se explicitem as razões, ou como um sofista ou como um rétor" (p. 57). Observa, sin embargo, que no basta, como hace G. B. Kerfer, con "simplesmente positivar em Górgias os dados que Platão negativamente lança contra ele" (p. 57). El autor propone, en efecto, una interpretación que evita la "caracterização prévia" (p. 60). Afirma que "a verdade pode coadunar-se com a prevalência de uma δόξα [dóxa]" (p. 60) y agrega:

 

no proêmio do Elogio, com efeito, Górgias destaca a ἀλήθεια [alétheia] como arranjo próprio do λόγος [lógos], digno de elogio. […] para Górgias a verdade não se opõe à δόξα [dóxa] […]. A verdade de que fala Górgias, ao contrário, não diz o ser, mas se apresente como a melhor δόξα [dóxa] entre as que se opõem sobre uma determinada questão dentro dos limites em que se forja um possível conhecimento humano (Górgias, Elogio de Helena, II). Será esta, por meio de um raciocínio que a revela e justifica, a ἀλήθεια [alétheia] do λόγος [lógos]. (pp. 60-61)

 

Concluye Ribeiro:

 

Esta realidad es la más difícil de trabajar para quienes estamos interesados en el análisis del discurso, los problemas retóricos o las situaciones en las que los sujetos de manera obstinada tratan de argumentar para ganar la voluntad de sus oyentes con cualquier arte. Por eso es que nos interesa revisar una obra de Marc Angenot que se ocupa específicamente de situaciones en las que la falta de acuerdo es la característica más relevante.

 

O λόγος [lógos], pois, de Górgias é razão e discurso. Não se restringe à sedução de um Páris, nem visa ao engano. Ao contrário, persuade pela persuasão argumentativa e discursiva das razoes de uma δόξα [dóxa] que, descartando outras, se apresenta como a ἀλήθεια [alétheia] por mais que esta, contudo, possa sempre ser descartada porque discursivamente remodelada por uma outra que a exclui. Aliás, em Górgias, para além de argumento, o λόγος [lógos] é palavra; para além de ordenado, o κόσμος [kósmos] é ornato. (p. 75)

 

La verdad se presenta, pues, como la prevalencia de una opinión sobre otra sin que haya una oposición entre verdad y opinión.

 

Carolina Araújo discute, en "Sobre o discurso no Górgias de Platão", el contexto de la definición atribuida al término "retórica" en esta obra; investiga, en efecto, "o sentido atribuído pelo diálogo a uma prática que tem em Górgias de Leontino um de seus grandes expoentes" (p. 79). Observa:

 

o texto do diálogo apresenta uma definição de retórica: a arte que produz poder político através da persuasão gerada pelo discurso capaz de responder a todas as perguntas; e é Górgias quem a apresenta de modo irrefutado. Partindo daí, o que Sócrates faz é, tal como Górgias no Elogio de Helena, dividir esse gênero em dois. A diferença entre os dois textos está em que Sócrates quer retirar poder da face aduladora da retórica ao submetê-la à sua face epistemológica, ou, em outras palavras, exigir a definição como requisito do elogio e da censura. (p. 89)

 

Concluye la autora que las nociones de discurso y persuasión poseen en el diálogo platónico un papel importante "como elementos de união, muito mais do que de distinção, entre retórica e justiça" (p. 89).

 

En "O poder do discurso no Fedro de Platão" señala Admar A. Costa que

 

Para Sócrates não se pode falar bem e de modo bem sem o conhecimento da verdade, enquanto para Fedro, o orador que fala bem é aquele que alcança a persuasão, para tanto não precisando partir do conhecimento do que é, mas apenas do que parece ser, ou seja, seu ponto de apoio está no conhecimento da opinião que a maioria tem sobre o assunto em pauta, porque é dessa maioria que provém o "critério" que determina que o discurso mais persuasivo seja, igualmente, o melhor. (p. 95)

 

Observa el autor que el Fedro concede al discurso erótico un papel similar al del discurso dialéctico pues "ambos nos impelem ao movimento ascendente de busca da verdade" (p. 101). Concluye que así como la dialéctica se volvió absolutamente necesaria para alcanzar la verdad, "talvez a retórica se faça igualmente necessária caso fique provado que, embora a dialética não alcance a maioria, seja preciso alcançá-la" (p. 103). Insiste en que a la filosofía le interesa más la retórica de lo que a la retórica la filosofía y afirma:

 

A possibilidade da retórica filosófica do Fedro não é outra coisa que obrigar o sábio a dialogar com o ignorante a fim de convencê-lo de que um critério capaz de ordenar verdadeiramente uma cidade justa não pode estar em posse de um solitário filósofo, assim como também não pode estar em posse de uma multidão ignorante. (p. 103)

 

La segunda sección, "O gênero epidíctico e seus usos", está conformada por cuatro ensayos: "Luciano de Samósata e o tonel de Diógenes: história e retórica na Roma imperial" de Deise Zandoná, "Retórica e dramaticidade em Luciano de Samósata" de Pedro Ipiranga Júnior, "Procedimentos retóricos e construção dos sentidos nas Laudes Italiae de Varrão e Virgílio" de Matheus Trevizam y "O epitalâmio na visão de dois rétores: algumas considerações acerca dos tratados atribuídos a Menandro, o rétor, e ao Pseudo-Dionísio de Halicarnaso" de Erika Werner.

 

Deise Zandoná observa que, en Sobre cómo escribir la historia y en El maestro de retórica, Luciano presenta sus ideas sobre la historia y la retórica y que, en estas mismas obras, ofrece a sus alumnos consejos (symboulaí) para volverse un buen historiador y un buen rétor. Después de señalar que "Luciano satirizava sofistas que se propunham como historiadores e oradores subordinados às relações de patronato-clientela" (p. 108), aborda la autora el estudio de historia y retórica en dicho autor, analizando, a partir de agudas ideas de Jacyntho Brandão ("o critério de impossibilidade" [Luciano, 2009], entre otras) las categorías mentira (pseûdos), elogio (épainos) y encomio (enkómion), fundamentales, según ella, para la definición de Luciano de la muralla (teîkhos) existente entre la historia y la retórica, muralla "que separa esses campos de forma bem definida, tal como se pensássemos nas cidades construídas cujas fortificações eram aperfeiçoadas em momentos de guerras e disputas" (p. 108). Zandoná concluye:

 

consideradas as análises das acepções de pseûdos, podemos afirmar que elas servem para delimitar as fronteiras entre as atividades dos historiadores e dos encomiastas. Luciano atribui aos primeiros o domínio da verdade, e aos segundos, as falsificações em prol da aquisição de benefícios sob a forma de cargos e imunidades junto ao corpo de "funcionários" do império romano. Se ao historiador é excluída a possibilidade de mentir (pseúdesthai), aos encomiastas é claramente vetada a escrita da história, tendo em vista o caráter parcial e laudatório que pela sua escrita ela adquire. À atividade do historiador é permitida, no entanto, uma certa forma de elogio (épainos), desde que esta obedeça ao critério da justa medida que caracteriza a avaliação e, conseqüentemente, a exposição necessária à narrativa dos acontecimentos verdadeiros. (p. 117)

 

En "Retórica e dramaticidade em Luciano de Samósata", Pedro Ipiranga Júnior observa que "o horizonte de morte confere ao bíos do homem, enfocado pelo prisma da teatralidade, um caráter de tragédia, o qual Luciano procura explorar em Alexandre ou o falso profeta" (p. 123) aunque señala que posiblemente "seja Nigrino, mais do que Alexandre, a obra em que a teatralidade se insere em todos os elementos e em todos os aspetos da narrativa" (p. 123). El autor analiza Alejandro o el falso profeta, biografía del impostor Alejandro de Abonuteicos que se enmarca en el género biográfico cómico. Observa:

 

o biográfico se revelaria como um gênero misto; com efeito, se a história, per ter sempre na verdade o seu objetivo mais genuíno, não admite, segundo nosso autor, o elogio ou o artifício retórico da amplificação, o bíos, ao contrário em sua vertente séria, englobaria traços do encômio e, na vertente cômica, forjada por Luciano, faria uso do psógos, da censura, da injúria, da invectiva. (p. 122)

 

Concluye señalando:

 

a analogia de um bíos com a montagem de um drama é correlativa a uma ação judicativa que parte do sujeito destinatário, que definimos como sujeito dramático. Esta atitude judicativa tem como critérios a autonomia do pensamento, a liberdade de fala e ação, mormente uma capacidade de discernimento crítico. (p. 130)

 

Matheus Trevizam estudia los "Procedimentos retóricos e construção dos sentidos nas Laudes Italiae de Varrão e Virgílio". Subraya la inmortalidad (o la "larga duración", para decirlo con Claudio Guillén (1985), a partir de la expresión de Fernand Braudel) del tema del "elogio a Italia" e insiste en que, tanto en Varrón (De re rustica) como en Virgilio (Geórgicas), este elogio se inserta

 

sempre em obras destinadas à abordagem "técnica" da agropecuária num panorama interacional de lavradores com espaços associáveis à península […], peças de oratória demonstrativa [que] cativam o público pelo enobrecimento do invariável cenário envolvido e, ao mesmo tempo, oferecem coordenadas gerais a seu respeito. (pp. 135-136)

 

Erika Werner aborda el estudio del epitalamio en dos tratados de retórica de los siglos II o III d. C.: en el Tratado II atribuido a Menandor de Laodicea (o Menandro el rétor) y en el Arte retórica del pseudo-Dioniso de Halicarnaso. Señala que los textos que permiten conocer de manera más pormenorizada los epitalamios o poemas nupciales de los períodos arcaico y clásico, poemas mal conservados, son precisamente los discursos epidícticos acerca de la celebración de casamientos, discursos llamados "epitalamios en prosa", un desarrollo posterior del género. Ambos rétores dividen los discursos de casamiento en dos tipos: los que celebran el casamiento de manera genérica y que podían ser dichos en cualquier parte de la ceremonia y los que celebran la consumación sexual del casamiento y que eran dichos junto al tálamo. Menandro llama al primer tipo ἐπιθαλάμιος λόγος [epithalámios lógos], "epitalamio", y al segundo κατευναστικὸς λόγος [kateunastikòs lógos], "discurso sobre el lecho nupcial" (o, más literalmente, "discurso del colocar para dormir"); el pseudo-Dioniso γαμήλιος λόγος [gamélios lógos], "discurso sobre el casamiento", y ἐπιθαλάμιος [epithalámios], "epitalamio", respectivamente. La autora analiza con detenimiento estructuras, temas y tópicos de estos discursos y, al final del ensayo, subraya que los "epitalamios en prosa" auxilian al estudio de la composición de los epitalamios-poemas nupciales de la Antigüedad.

 

La sección tercera, "A retórica anterior à retórica: práticas do discurso em Homero", conjunta tres colaboraciones sobre los textos homéricos: "A força da palavra de Zeus: um comentário a Ilíada XIX, 78-138" de Antônio Orlando Dourado Lopes, "A crítica ao discurso nos discursos de desafio na Ilíada: Enéias a Aquiles no canto XX, 200-258" de Teodoro Rennó Assunção y "Cinismo e retórica: o caso de Tersites" de Olimar Flores-Júnior.

 

Antônio O. Dourado Lopes, en "A força da palavra de Zeus: um comentário a Ilíada XIX, 78-138l", propone que se puede calificar la relación entre palabra y acción como teleológica,

 

pois ela se apresenta segundo uma espécie de gradação pela qual as palavras são mais o menos efetivas em função de sua capacidade de anunciar as ações. Por sua vez, estas são também mais ou menos efetivas em função de sua capacidade de atingir as metas que as palavras lhes atribuem. O critério de efetividade estabelece uma espécie de gradação, segundo a qual tanto as palavras quanto as ações podem ser vãs. (p. 165)

 

En el ensayo el autor aplica esta propuesta interpretativa a distintos fragmentos de la Ilíada, no solo a los del título del mismo, demostrando la "oposição complementar" de las palabras a las acciones.

 

En su muy documentado ensayo Teodoro R. Assunção caracteriza los discursos de desafío entre héroes enemigos que anteceden los combates (sobre todo que anteceden los duelos o combates individuales), en la Ilíada. Observa que "os discursos de desafio ou provocação […] dirigidos aos companheiros de armas […] visam obviamente um efeito prático em seu auditor (funcionando, pois como um ato): estimulá-lo ou excitá-lo […] ao combate" (p. 198) y que

 

No caso […] dos desafios lançados a um inimigo antes do combate, a questão do efeito visado pode se revelar um pouco mais complexa, já que a desqualificação do adversário ou a afirmação da superioridade do locutor parece se integrar de modo natural e imediato no contexto mortalmente conflitivo do combate. Mas podemos nos perguntar se isso quer necessariamente dizer que o discurso de desafio, agindo como um arma, visa, naquele que é o momento preparatório ou inicial do combate, a enfraquecer ou desestabilizar o moral do adversário. (p. 199)

 

Y se responde:

 

mesmo que admitamos que o discurso de desafio vise expressar ao menos uma superioridade relativa ao adversário […] -superioridade não garantida pela genealogia ou estatuto social e, portanto, a ser demonstrada ainda pela performance no combate-, parece-nos que se o objetivo maior do guerreiro […] é conquistar uma vitória sobre um adversário o mais valente possível, porque só assim ele terá de fato valor objetivo e lhe assegurará uma reputação estendida, seria um contra-senso imaginar que os discursos de desafio visam a aniquilar moralmente o adversário ou a fazê-lo desistir a abandonar o campo de batalha antes mesmo de o confronto corporal começar, já que o fim agonisticamente almejado é justamente que este confronto tenha lugar e seja o mais acirrado possível. (pp. 199-200)

 

Resume lo anterior señalando que "poderíamos sugerir que, no caso desses discursos diretos de desafio na Ilíada, a fórmula que traduziria algo paradoxalmente sua mecânica seria em português 'te critico (ou insulto) para que ajas valentemente'" (p. 200). El estudio, "A crítica ao discurso nos discursos de desafio na Ilíada", como señala el título, se centra en el discurso de Eneas a Aquiles (XX, 200-258), discurso del que el autor realiza un fino close reading.

 

En "Cinismo e retórica: o caso de Tersites", Olimar Flores-Júnior comenta un breve pasaje de la biografía del filósofo Demonacte (o Demónax) escrita por Luciano de Samosata, pasaje que dice que Demonacte elogiaba a Tersites como una especie de orador cínico. Observa el autor que "nessa afirmação simples e direta se atam pelo menos três intrincados problemas" (p. 230): el primero "o Tersites elogiado aqui não deve ser outro senão a personagem descrita […] no canto II da Ilíada" (p. 230); el segundo problema "que a passagem evoca diz respeito ao seu autor, o próprio Luciano de Samósata, e sua relação com o cinismo; a essa subjaz a maneira pela qual Luciano lida com as escolas filosóficas de seu tempo e com o discurso filosófico em geral, ponto sobre o qual os comentadores divergem" (p. 230); el tercero "concerne a personagem a quem se atribui a afirmação […]: Demônax, filósofo escuro a respeito do qual as informações de que dispomos ficam muito restritas quase exclusivamente ao que nos relata o próprio Luciano -que declara aliás ter sido sue aluno" (p. 232). En cuanto a la conciliación retórica y cinismo, insiste Flóres-Júnior en que la parrhesía es la más cínica de las virtudes. La parrhesía de Tersites se manifiesta cuando profiere un discurso de censura contra Agamenón, de ahí que pueda ser considerado un cínico. Señala:

 

No cinismo a parrhesía não significa apenas o exercício da simples liberdade de palavra, mas de uma liberdade de palavra, de uma franqueza comprometida com a denúncia; trata-se enfim de falar bem alto e claro, para quem quiser ouvir, o que os outros pensam, mas calam em seu íntimo". (p. 246)

 

La cuarta sección del volumen, "O ensino da retórica na Antigüidade", reúne tres estudios: "Uso, decoro e norma na Institutio oratoria: em torno de um paradigma antigo e sua repercussão" de Marco Aurélio Pereira, "Acerca das diferenças doutrinais entre os Praeexercitamina de Prisciano e os Progymnásmata do Ps.-Hermógenes" de Marcos Martinho y "Considerações sobre os prefácios de Sêneca o rétor" de Pablo Schwartz.

 

Marco Aurélio Pereira aborda las "lecciones gramaticales" de Quintiliano, su concepción del uso, del decoro y de la norma. Al momento de escribir su Institutio oratória, cuyo objetivo central era la formación del orador, de aquel que en la Roma antigua tenía un papel fundamental en la conducción del Estado, Quintiliano "julgou necessário apresentar um modelo de eloqüência e de linguagem -diríamos um ʽestiloʼ- que se contrapusesse àquele então reinante: […] o de Lúcio Aneu Sêneca, […] representante romano do 'estilo asianista'" (p. 254), vale decir, propuso una norma lingüística para su tiempo. Propuso como modelo de lenguaje, como modelo de imitación, el estilo de Cicerón que, según Pereira, "se casava melhor com a idéia estóica do uir bonus, capaz se utilizar a palavra tendo em vista a promoção do bem-comum" (p. 254). Observa el autor que Quintiliano establece una norma de elocución oratoria atenta tanto a la analogía como a la anomalía: "Quintiliano se opõe àqueles que julgavam infalível o mecanismo da analogia […]. Não que o autor abrace pura e simplesmente o território da anomalia, também enganoso, mas procura […] conciliar os pólos na consideração da linguagem" (p. 261). Con respecto al decoro (decorum/prépon) señala que este obliga, tanto en el discurso como en la vida, a observar lo que conviene. Quintiliano busca, en efecto, "uma correspondência entre o uir bonus e o dicendi peritus", por eso mismo es preciso "dizer de modo apropriado o que se deve dizer" (p. 263).

 

Marcos Martinho compara los Progymnásmata (siglo III) del pseudo-Hermógenes con la "traducción" latina hecha por Prisciano (siglos V-VI) y observa que este, más de una vez en sus Praeexercitamina, en lugar de traducir el texto griego original "altera a doutrina, adicionando ou subtraindo alguma lição" (p. 269). Señala que "Mais de uma alteração, porém, concorda com outros autores de progymnásmata ou artes retóricas, de modo que Prisc. parece corrigir o Ps-Hermógenes de acordo com estes" (p. 269). En un riguroso trabajo examina el autor "as adições e subtrações doutrinais de Prisciano, a fim de reconhecer os autores de que dependem e, daí, explicar a causa delas" (p. 269). Compulsa no solo autores de progymnásmata anteriores a Prisciano de los que este pueda depender, como Teón, Aftonio y Nicolao, sino también "comentadores de Aftônio posteriores a Prisc., que possam depender de outros, de que já Prisc. dependa, a saber: Doxópatro […], Geômetra […] e dois anônimos" (p. 269) así como autores y comentadores de artes retóricas, entre otros, Querebosco, Isidoro, Emporio, Marciano Capela, Sexto Empírico, Quintiliano y Cicerón. El estudio se centra en las diferencias de lecciones sobre la fábula y la narración, sobre el lugar común, sobre el encomio, sobre la comparación y sobre la etopeya, la prosopopeya y la idolopeya. Entre las conclusiones a las que llega Martinho conviene destacar esta: "ao modificar a doutrina do Ps.-Hermog., Prisc. teria compulsado autores de progymnásmata e comentadores de Aftônio, em particular, Nicolau e algum comentador de que dependeria Geômetra" (p. 287).

 

Pablo Schwartz analiza diferentes aspectos de los siete prefacios que se han conservado de los diez libros de Controversias de Séneca el Viejo, prefacios en los que este

 

apresenta alguns dos declamadores e oradores mais destacados […], personagens que interessam, seja por sua forma particular de relacionar-se como a oratória e a declamação, seja pela significação de sua atuação no esfera pública, ou em outras práticas discursivas como a filosofia, a historiografia ou a poesia. (pp. 291-292)

 

Este análisis de los prefacios permite establecer las características de la declamación en Roma,

 

quando esta prática adquiriu popularidade crescente e, além de servir à educação oratória de jovens, transformou-se em um espaço de criação literária, do qual participavam não só rétores e seus discípulos, mas também poetas, historiadores e filósofos, que treinavam suas capacidades, escrevendo e declamando suasórias e controvérsias. (p. 307)

 

Observa Schwartz que, a pesar de ser conocido como "el Rétor", Séneca el Viejo no lo es, ni pretende teorizar sobre retórica, si bien discute, en los prefacios así como en el cuerpo de sus declamaciones, algunos aspectos doctrinarios. El hecho mismo de no ser un especialista en retórica, sino un ciudadano educado en la elocuencia, le hacen ver los asuntos relativos a la declamación como poco apropiados para un hombre serio. Por último subraya el autor del artículo que Séneca se revela como un narrador y un comentador eficiente en su capacidad de hacer dialogar fragmentos de muy distintos autores.

 

El artículo "A tradição da retórica clássica no Brasil: entre a filosofia e a poesia", de Maria das Graças de Moraes Augusto, constituye la quinta y última sección del volumen, "O ensino da retórica no Brasil". En este artículo estudia la autora la presencia de la tradición clásica en el proceso de formación de la "cultura brasilera", en sentido amplio, en el período 1808-1821, período en el que el Brasil, luego del traslado de la corte de Lisboa a Río de Janeiro (1807-1808), deja de ser colonia portuguesa para conformar el Reino Unido de Portugal, Brasil y Algarve (1815). Destaca la importancia de la sustitución del método de enseñanza de la Compañía de Jesús por el de la Congregación del Oratorio de San Felipe Neri, consecuencia de la expulsión de aquella, en 1759-1760, de todo el imperio portugués, expulsión promovida por el Marqués de Pombal. Subraya que en los colegios jesuitas la retórica, como disciplina, no integraba el currículo estricto de los estudios filosóficos y subraya también el papel de la obra de Luis Antonio Verney, "iluminista" ("ilustrado") que estudió con los oratorianos, uno de los más famosos "estrangeirados" portugueses, impulsor de la reforma de los estudios filosóficos en su país y autor de O verdadeiro método de estudar (1746). Según este filósofo la retórica no debe ser utilizada únicamente en los púlpitos y en la vida pública, debe involucrar también las relaciones entre los hombres en todos los niveles. Este contexto enmarca la obra de los dos autores en que se centra el estudio: el filósofo y político portugués Silvestre Pinheiro Ferreira y el naturalista, estadista y poeta brasilero José Bonifácio de Andrada e Silva, el "Patriarca da Independência", ambos alumnos de los oratorianos, ambos estudiantes de la Universidad de Coímbra, ambos con estancias en París durante la Revolución Francesa y ambos con actuaciones tanto en Portugal como en el Brasil. En 1814 se publica en Río de Janeiro, en la Impressão Régia, la traducción directa del griego al portugués de las Categorías de Aristóteles hecha por Pinheiro Ferreira, traducción que el pensador usa en las Preleções Filosóficas que dicta en el Real Colégio de São Joaquim de Río de 1813 a 1817. Es importante señalar que Pinheiro Ferreira "vai dividir o texto das Categorias em duas partes: uma primeira, denominada Aforismos […], e a segunda, chamada de Explicações […], justificando-se no fato de que, segundo ele, a alteração da ordem da escrita em nada altera a ordem das idéias ou a da leitura" (p. 334). En 1816 aparece en Lisboa, en la Impressão Régia, en edición bilingüe (griego-portugués), la traducción del poema La Primavera de Meleagro de Gadara realizada por de Andrada e Silva (A Primavera/Idyllio/Traduzido do grego em portuguez/por/J. B. A. S.; nótese que solo aparecen las iniciales) a partir de la edición del texto griego (y de su versión latina) recogido en el volumen IV del Excerptum totius Italicae, nec non Helveticae Litteraturae (Berna, 1759). Con agudeza se pregunta la autora si de Andrada e Silva no estaría haciendo en esta traducción del poema menciones al proyecto de emancipación del Brasil. También de Moraes Augusto hace una inteligente crítica al Modernismo brasilero, principalmente a partir de la Semana de Arte Moderna, y en particular a las posiciones defendidas por Oswald de Andrade en los Manifestos da Poesia Pau-Brasil, de 1924, y en el Manifesto Antropófago, de 1924, al mostrar que las rebeldes posiciones de la modernidad pueden tener alguna relación con el modelo de educación oratoriano, introducido en el Brasil a través del Seminario de Olindan en Pernambuco fundado en 1800 por el obispo Azeredo Coutinho:

 

Humanidades, estavam a Retórica e o Latim, e, em lugar do grego, o estudo das "línguas vivas", bem como era marcado, dada a necessidade de formação de quadros na Colônia, por uma conceição "empiricista" e "profissionalizante" no processo de formação dos alunos. (p. 328)

 

La versión anti-retórica, moderna, del Brasil de los poetas antropófagos ("o lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos", "Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão" y "A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica" de Oswald de Andrade" [p. 315]), esto es "a crítica dos modernistas, radicalizada pelos antropófagos, ao nosso 'lado doutor'" (p. 317), está en relación con el currículo instaurado en el Seminário de Olinda. Ahora bien, como observa la autora, el proprio O. de Andrade, al final de su vida, cuando escribió A marcha das utopias, parece haber recuperando la importancia de los griegos en la formación del Brasil. Escribe:

 

a tradição clássica é um dado vital desse processo de formação [da cultura brasileira], ou, se quisermos manter o vocabulário oswaldiano, de "deglutição" […] e em uma busca mais atenta constataremos que ela está presente, seja como mediadora, seja como hermeneuta, de momentos fundamentais em nossa vida política". (pp. 316-317)

 

Estos Ensaios de Retórica Antiga muestran no solo la importancia y la vigencia de los estudios retóricos hoy, muestran también el alto nivel alcanzado por los mismos en el Brasil.

 

 

Bibliografía

GUILLÉN, C. (1985); Entre lo uno y lo diverso. Introducción a la literatura comparada. Barcelona: Editorial Crítica (Filología 14).

LUCIANO (2009); Como se deve escrever a história, trad. e ensaio de Jacyntho Lins Brandão. Belo Horizonte: Tessitura.

 

 

Daniel Rinaldi

  Universidad de la República

(Uruguay)